terça-feira, 1 de junho de 2010

PARTE FINAL DO ESTUDO DA MARIOLOGIA: FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA: PROTO-EVANGELHO (Gn 3,15)


1. PROTO EVANGELHO (Gn 3,15)

O homem pecou, mas o Senhor não os abandona e faz uma promessa de restauração da aliança violada: A vitória do Salvador sobre o Tentador e o Pecado.

Gn 3,15: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência da mulher. E Ela (a descendência da mulher) te atingirá a cabeça. E tu lhe atingirás o calcanhar

Este versículo tem mais de uma interpretação:



  1. Há duas descendências: da mulher e da serpente. Mas há superioridade para a mulher, pois ferir a cabeça é mais grave do que ferir o calcanhar;


  2. Quem fere a cabeça da serpente, não é feminino e sim masculino (conforme o original em hebraico). O rebento da mulher vencerá a serpente;


  3. Quem é essa mulher? - No texto do Gn só há Eva. E a descendência: - homens e mulheres fiéis a Deus através dos tempos, que deverão travar uma batalha contra o Sedutor;


  4. O descendente da mulher que concretamente pisou na cabeça da serpente; foi o Messias Jesus. E a mãe desse Senhor vitorioso foi Maria Ssma. Eva (=Mãe da Vida, inicia uma tarefa que só foi plenamente realizada por Maria. Eva foi pecadora ou esteve sob o domínio da serpente, Maria Ssma foi “Cheia da Graça” e nunca se dobrou sob o jugo do Maligno. O papel de Eva é recapitulado por Maria. Pode-se dizer, de modo ainda pálio, aqui está o núcleo de toda a mariologia. O nexo estrito que existe entre o Redentor (2º Adão) e sua Mãe (2ª Eva ou Mãe da Vida por excelência);


  5. S. Jerônimo traduziu o pronome hebraico hu (=ele) por ipsa (=ela mesma, em latim). Com isto insinuou que a Mulher seria a vencedora da Serpente, esmagando-lhe a cabeça. Este modo de entender Gn 3,15 tornou-se clássico; todavia não corresponde ao original. O texto Gn 3,15 é retomado em Ap 12: a Mulher e o Dragão (=a Serpente antiga) retornam como protagonista de um duelo entre o bem e o mal que perpassa toda a história da Salvação.

2. INTERPRETAÇÃO DA TRADIÇÃO

O paralelismo entre Eva e Maria ocorre no século II com S, Justino (+165): “Eva é portadora da desobediência e da morte; Maria, traz a fé e a alegria. O anjo (mau) falou à mulher infiel a Deus, o anjo Gabriel falou à mulher fiel a Deus. A mulher colabora com a morte, a mulher (a nova Eva), colabora com a vida.

S. Ireneu (+202), fala de um recomeçar, onde cada qual dos elementos envolvidos na queda é chamado a desenvolver um papel de “recapitulação”. Jesus Cristo é o novo ou segundo Adão (Rm 5,14; 1Cor 15,45-49); a cruz de Cristo é a nova árvore do paraíso, e Maria é a nova Eva. Mas, Maria como conseqüência necessária do desígnio de Deus. “...Eva se deixou seduzir para desobedecer a Deus, Maria se deixou persuadir a obedecer a Deus” (contra as heresias).

Séc. IV – S. Epifânio de Salamina (+403), novo arauto do paralelismo: “Eva trouxe ao gênero humano uma causa de morte: por ela a morte entrou no orbe da terra: Maria trouxe uma causa de vida; por ela a vida se estendeu até nós...” (Panárion).

Como diz S. Ireneu: “o nó da desobediência de Eva foi desfeita pela obediência de Maria; o que a Virgem Eva ligou pela incredulidade, a virgem desligou pela fé”.

3. CONCLUSÃO

Duas grandes reflexões:



  1. O título de Nova Eva é o primeiro título com o qual Maria Ssma é venerada pela Tradição Cristã. Mãe da Vida, inclusive definida pelo Concílio de Éfeso em 431: Maria é Theotókos, Mãe de Deus, na medida em que Deus se quis fazer homem. Deste título decorrem as demais prerrogativas de Maria Ssma;


  2. A consideração de Maria, desde suas origens, tem caráter cristológica. Longe de ser independente de Cristo. Assim a autêntica piedade mariana está relacionada com a fé em Jesus Cristo.


Salve Maria!


Fonte: ISCR - Instituto Superior de Ciências Religiosas

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