quinta-feira, 6 de maio de 2010

DEUS ME QUER FELIZ - POR PE. ANTÔNIO ALBERTINE (VICE-ASSISTENTE ECLESIÁSTICO NACIONAL DAS CCMM'S)


Essa foi a expressão usada por uma amiga esses dias atrás ao justificar a separação de seu marido e o inicio do relacionamento com outra pessoa, ao questioná-la como ficaria a sua consciência diante de Deus pela atitude que estava assumindo sendo ela uma líder na sua comunidade e tida como exemplo a muitos de maneira especial jovens de sua comunidade. Confesso que sua resposta me deixou inquieto, pensativo, decepcionado e desde aquele dia venho pensado na questão da felicidade e da moral cristã e por isso resolvi escrever essas poucas linhas ajudando-nos a clarear sobre esse assunto.

A felicidade tem sido o alvo da humanidade. Muitos afirmam que têm a felicidade como objetivo de suas vidas. Mesmo aqueles que não verbalizam isto acabam vivendo baseados neste princípio. É plenamente aceitável para a sociedade hodierna, que alguém troque de emprego se está infeliz. Se alguém troca de curso na universidade afirmando que não estava se sentindo feliz, a razão é aceita pela maioria das pessoas como válida. Se alguém não está feliz com seu casamento, para muitos seria normal trocar de cônjuge, afinal ser feliz é o objetivo. A felicidade é tida como um direito de todo ser humano.

Precisamos ter bem claro que uma coisa é a felicidade e outra o prazer ou o bem-estar. Jesus nos convida para vivermos uma felicidade que não é um bem-estar permanente, mas sim uma conseqüência de um modo de ser e de viver. É um fruto indireto da vida e não uma meta a ser alcançada, a meta que devemos ter na vida é a nossa santidade que terá como fruto a felicidade e outros tantos bens que buscamos.

Hoje muitas pessoas confundem a necessidade com o desejo, buscam os desejos pessoais como se fossem a necessidade mais urgente em suas vidas e fazem de tudo para alcançá-la. Quando desejamos muito algo, ficamos tentando nos convencer que aquilo é a vontade de Deus para nós. “Se somente assim seremos felizes então isso tem que ser a vontade de Deus”, dizemos para nós mesmos. A verdade é que isso não acontece. Confundimos nosso desejo por felicidade com a vontade de Deus. Resumindo, queremos agradar a nós mesmos e para não ficarmos com culpa na consciência tentamos nos convencer de que Deus também deseja aquilo.

A felicidade e a bem-aventurança estão tão dentro da mensagem cristã que aceitar e assumir o projeto cristão é o mesmo que aceitar e assumir um projeto de gozo, de felicidade e de alegria para a vida presente de qualquer pessoa e da humanidade como um todo. Jesus sabia que ele não era o centro de sua própria vida, mas seu Abbá (Pai Deus) e, portanto podia relativizar sua vida e presenteá-la. E convidava as pessoas para isso, para que fôssemos livres e não escravos da imagem, do dinheiro. Comer para ser saudável, ter bens para viver sem exagero, trabalhar sem exagerar, e assim todas as necessidades humanas. Descobrir o engano do dinamismo do desejo que não tem limites e provoca sua própria destruição e a dos demais. Basta ver o exemplo da crise econômica atual, provocada pela avareza de certas companhias, e que arrastou o mundo inteiro. O fato de não haver limite ao desejo de lucro provoca este dano tão grave às pessoas.

Para resolver esse dilema é preciso que tiremos a felicidade do primeiro lugar de nossa vida e colocar Deus em primeiro lugar então Deus começa a tornar-nos feliz. No livro dos salmos encontramos a seguinte afirmação: “Agrada-te do Senhor, e Ele satisfará os desejos do seu coração” (Sl 37.4). Em outras palavras seja Deus suficiente para você, esteja contente com Ele, deixe-O decidir o que é melhor para você, procure fazer sempre a vontade Dele em primeiro lugar, e como resultado Ele satisfará o que o seu coração deseja. E te dará a felicidade verdadeira que é a nossa plena realização como seres humanos criados a imagem e semelhança Dele. Sim Deus nos quer felizes por isso nos deixou os mandamentos e orientações contidas na Sagrada Escritura para que seguindo-a sejamos felizes como ele nos quer “Seguireis exatamente o caminho que o Senhor, vosso Deus, vos traçou, a fim de que vivais e sejais felizes, e vossos dias se prolonguem na terra que ides possuir” (Dt 5,33), meus queridos a felicidade portanto é cumprir a lei de Deus é ela que vai nos satisfazer plenamente não nossos desejos mesquinhos, de poder ou de prazer.



Salve Maria!

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