segunda-feira, 17 de maio de 2010

6a. PARTE DO ESTUDO DA MARIOLOGIA: A MATERNIDADE DIVINA


A virgindade no parto


TESTEMUNHO BÍBLICO


A todos os que O receberam, deu o poder de se tornarem filhos de Deus, aos que crêem em seu nome, Ele (o verbo) que nasceu do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas nasceu de Deus” – Jo 1,12s.



Maria gerou seu filho primogênito, envolveu-o em panos e deitou-o no presépio” – Lc 2,7. Estes dizeres insinuam a ausência das dores e da prostração que costumam acompanhar todo parto. A Tradição, repetiu: “Maria deu à luz sem dor”, professando a maternidade virginal de Maria. Os cristãos se baseavam no modo de ver dos judeus, que falavam que um dos sinais da era messiânica seria o parto isento de sofrimento (Ap. de Baruque): “as mulheres já não sofrerão durante a gravidez e desaparecerá a dor quando tiverem que dar à luz o fruto do seu seio”. O motivo: “O tempo do Messias trará o fim do desgaste e o começo da imortalidade”.



Rabino Abbahu: “...atualmente a mulher dá à luz em meio a dores, no tempo do Messias se cumprirá o que está escrito: ‘antes de sentir as dores do parto, ela deu à luz´”.



Esta concepção, segundo os judeus, estaria extinta, na era messiânica, a punição infligida a Eva: “Multiplicarei as dores da tua gravidez; na dor darás à luz filhos” (Gn 3,16). A própria tradição judaica associava entre si a vinda do Messias ao parto sem dor. A tradição cristã do parto virginal de Maria tem aí seu eco antecipado.



NO DECORRER DOS SÉCULOS


A virgindade de Maria no parto foi especialmente enfatizada por uma corrente de hereges dos dois primeiros séculos: os docetas, que afirmavam que o Senhor não tivera senão um corpo aparente. E de alguns escritores cristãos do século III, como Tertuliano e Orígenes, negaram a virgindade de Maria no parto. Passada, a controvérsia docetista, prevaleceu claramente a fé da Igreja.



S. Leão Magno Papa (+461): “O Filho de Deus foi concebido do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, que O deu à luz, conservando a sua Virgindade (salva virginitate)” (Epístola a Flaviano 2).



S. Gregório Magno Papa (+604): “Não é para admirar que o Senhor, ressuscitado para viver eternamente, tenha atravessado pelas portas fechadas, visto que, para morrer, Ele veio a nós através do seio fechado da Virgem” (Sobre os Evangelhos, homilia 26,1).



O parto virginal de Maria, fato singular e transcendental, que há de ser preservado com respeito e reverência.



DÚVIDAS


Duas são as principais dificuldades



  • Os textos bíblicos que insinuam a virgindade de Maria, são peças poéticas. – Em resposta, diremos: devemos examinar o respectivo gênero literário. São passagens sóbrias, destituídas dos pormenores fantasistas que caracterizam as lendas. Não se entenderia que já na sua primeira geração tenham aceito dos pagãos um mito: o moto da “Virgem-Mãe”;


  • Quem admite a virgindade perpétua de Maria, deprecia a maternidade” – Respondemos, segundo a fé cristã, a vida matrimonial é santa, desde que vivida segundo a vocação divina: São Paulo observa que a mulher se salva pela geração dos filhos (1Tm 2,15). A virgindade corpórea ou a vida una e indivisa é o símbolo e a expressão desta adesão total a Cristo. Ora foi certamente para dar pleno realce ao valor da vida virginal que Deus Pai quis conservar a virgindade física de Maria.


Salve Maria!

fonte: ISCR - Instituto Superior de Ciências Religiosas

Nenhum comentário:

Postar um comentário