segunda-feira, 10 de maio de 2010

3a PARTE DO ESTUDO DA MARIOLOGIA - A COOPERAÇÃO DE MARIA NA OBRA REDENTORA


MARIA ASSOCIADA A SEU FILHO NA REDENÇÃO DO MUNDO


A maternidade de Maria em relação a Jesus Redentor não foi meramente biológica. Maria não foi mera espectadora da obra de salvação do mundo, mas prestou a esta uma cooperação ativa: “Maria respondeu ao mensageiro celeste: ‘Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra’ (Lc 1,38). Consagrou-se totalmente, como serva do Senhor, à pessoa e obra de seu Filho servindo sob Ele e com Ele, por graça de Deus Onipotente, ao mistério da Redenção. Os Santos Padres julgam que Deus não se serviu de Maria como instrumento meramente passivo, mas julgam que cooperou para a salvação humana com livre fé e obediência” (Lúmen Gentium, 56).



Como definir mais precisamente a cooperação ativa de Maria na obra da salvação?

a) Em relação ao seu Filho viandante na terra, Maria exerceu uma colaboração ativa, não no sentido de haver concorrido diretamente para obter-nos as graças da Redenção, como se fosse um segundo princípio redentor ao lado de seu Filho. Maria é criatura remida por Cristo;


b) Maria coopera atualmente, após sua glorificação celeste, para a aplicação dos frutos da Redenção aos homens na qualidade de intercessora materna. Maria foi remida de modo excepcionalmente fecundo não em proveito dela mesmo apenas, mas a fim de desempenhar uma função própria na aplicação da salvação;


c) Toda a cooperação de Maria é subordinada a Cristo. Maria só tem valor no plano do Pai por causa de Cristo. Nunca a veneraríamos se não fosse em vista de Cristo; a autêntica piedade mariana é formulada nos seguintes termos: “O cristão deve procurar ser, para Maria, um outro Jesus”. O objetivo primeiro do cristão é configurar-se a Cristo, o primogênito entre muitos irmãos, como diz São Paulo em Rm 8,9. E quanto mais o cristão se configura a Cristo, tanto mais ele deve se ver filho de Maria. Para o cristão nada é anterior a Cristo.



CO-REDENTORA


No século X entrou em uso o termo Redemptrix (Redentora) aplicado a Maria SSma. A partir do Século XV os teólogos preferiam dizer “Co-Redentora”, título este que se foi propagando. Cabe ressaltar que nenhum documento de índole magisterial na Igreja usou a palavra Co-Redentora. Ela aparece, porém, em textos de importância subalterna, tais como:


1. Em 1908 em uma petição do Superior dos Servos de Maria sobre a festa das Sete Dores de Maria, onde cita o termo Co-Redentora;


2. Em 1913 alguns cristãos pedindo indulgências sobre uma saudação que incluísse o nome de Maria, pedem em nome da Co-Redentora;


3. Em 1914 a Congregação para o Santo Ofício concedeu indulgência a quem recitasse uma oração que mencionava a Co-Redentora do gênero humano Notamos que tais citações sobre o título “Co-Redentora” é de quem o solicitou e não do Magistério da Igreja.

4. O Papa Pio XI usou tal título na oração de encerramento do Ano da Redenção em 1933. E, depois de Pio XI, nenhum Papa recorreu à controvertida expressão. Bons teólogos foram evidenciando a ambigüidade dos títulos de “Co-Redentora” e “Medianeira”, e os mal entendidos que podiam suscitar.


A Teologia hoje recusa o uso dos dois termos referidos (não porque sejam errôneos, mas porque passíveis de má interpretação), embora reconheça que Maria foi associada à obra do Redentor e é cooperadora da Redenção.



QUATRO MOMENTOS IMPORTANTES


A cooperação de Maria com o Redentor caracterizou toda a sua existência desde a Anunciação do Anjo. Na Anunciação (Lc 1,26-38), o Sim de Maria é uma aceitação na colaboração em toda a obra da reconciliação da humanidade com Deus. Maria mostra-se disposta para o serviço que Deus lhe pede;


Nas Bodas de Cana (Jo 2,1-12), Maria, com a sua intervenção suscita também a fé dos discípulos. A fé de Maria está na origem do sinal que Jesus realizou, e prepara os discípulos para acolher a manifestação da sua glória e crer nele. A vida de Maria está claramente orientada para o serviço do Filho de Deus e de sua missão;


O seguimento de Jesus na Cruz por Maria, a coloca no plano salvífico que levaria Jesus à morte de cruz. Assim, a Virgem não sofreu em favor dela mesma, sofreu em favor de nós, como Mãe de todos;


A Missão de Maria nos inícios da Igreja. O livro dos Atos dos Apóstolos refere que Maria acompanhava os apóstolos no Cenáculo, rezando com eles na expectativa do Espírito Santo. Mesmo após a Ascensão do Filho, Ela continuava presente na Igreja prolongando sua missão de intercessora.


Salve Maria!

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