sexta-feira, 28 de maio de 2010

13a PARTE DO ESTUDO DA MARIOLOGIA: FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA: A MÃE DO MESSIAS (Is 7,14; Mq 5,1)


A MÃE DO MESSIAS (Is 7,14; Mq 5,1)


No AT ainda se encontram dois textos:


Isaías 7,14


Em 930 deu-se o cisma de Israel: reino do Norte (Samaria) e reino do Sul (Judá), este último da dinastia de Davi, que tem as promessas de dar ao mundo o Messias, já o reino do Norte é cismático.


No ano de 735 reinava em Judá, Acaz (736-716), descendente de Davi. Ao Norte , o rei Facéia (737-732) se coligou com o rei Rasin da Síria para derrubar o pesado jugo da Assíria; queriam ampliar e fortalecer esta coligação envolvendo nele o reino de Judá. Acaz, porém, recusou-se e os dois reis do Norte fizeram guerra contra Acaz; queriam depô-lo e colocar em seu lugar, Tabael, de origem não davídica; vencendo Judá, os dois reis abririam caminho para o Egito, um possível aliado para combater os Assírios e Babilônios.


O exército da Síria e da Samaria invadiu Judá. Acaz se recolheu em Jerusalém, ameaçado pelos adversários numa situação angustiante. Única saída, era pedir a intervenção do rei assírio Teglat-Falasar III (745-727), pois a política de alianças com povos estrangeiros era proibida a Judá, tais alianças acarretavam perigo de contaminação religiosa para o povo messiânico (2Rs 16,7-10; 2Cr 28,16-20)


Deus enviou o profeta Isaías ao rei Acaz, para lembrar-lhe a “política da fé”, ou seja a necessidade de confiar na Providência Divina (Is 7,4-9). A fé devia ser o fundamento da existência do povo de Deus.


Acaz não era fiel ao Senhor (2Rs 16,3), por isto recusou o sinal; em Is 7,12, o profeta, em nome de Deus propôs o sinal: “Sabei que o Senhor mesmo vos dará um sinal: Eis que a jovem concebeu e dará à luz um filho, e pôr-lhe-á o nome de Emanuel” (Is 7,14)


Quem é o Emanuel? – Há quem veja nele o rei Ezequias, filho e Acaz, só que este não preenche o título “Deus conosco”. Isaías tem em vista, o Messias, que é a garantia de que a dinastia de Davi não será destronada. Em Is 9,5s “Um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado. Traz o cetro do principado e se chama ‘Conselheiro Admirável, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz’. O seu glorioso principado e a paz não terão fim, no trono de Davi e no seu reino, firmando-o e consolidando-o sobre o direito e sobre a justica”.


E quem é a mãe do Emanuel? – É dita “almah” – Há quem veja nela a esposa do rei Acaz, mãe de Ezequias, cabe lembrar que jamais na Bíblia a palavra “almah” designa uma mulher casada ou jovem que tenha perdido a virgindade. O grego em Alexandria ao criar a versão dos LXX usou o vocábulo “parthénos”, virgem e em Mt 1,23 “Eis que a ‘virgem’ conceberá e dará à luz um filho e lhe dará o nome de Emanuel”.


A virgindade da mãe do Messias põe em relevo o caráter extraordinário do seu parto. O filho dessa Virgem Mãe é especial dom de Deus aos homens, como a salvação é dom de Deus. E, em conclusão: Isaías garante a Acaz a incolumidade do seu trono. É a salvação a ser trazida em plenitude pelo Messias; a grande bênção do Deus-conosco exerce ação antecipada nos tempos de Acaz.


Para entender bem o valor do sinal assim dado por Isaías, devemos entender: Estamos acostumados a ver a história, como algo que se desdobra do passado para o futuro. No caso dos profetas, requer-se outro modo de conceituar a história, ela tem seu ponto de partida no futuro. A história sagrada tem seu centro no Messias ou em Jesus Cristo e é a partir deste que os eventos se sucedem e desenvolvem. Assim Davi é função de Jesus Cristo, em vez de Jesus Cristo ser função de Davi.


Miquéias 5,1s


“E tu, Belém Efrata, pequena demais para ser contada entre os clãs de Judá, de ti sairá para mim aquele que deve governar Israel. Suas origens são de tempos antigos, de dias imensuráveis. Por isto Deus os abandonará até o tempo em que dará à luz aquela que deve dar à luz. Então o que houver restado de seus irmãos, se reunirá aos filhos de Israel”.


Este texto pode não ser tido como profecia messiânica; seria explicável simplesmente como anúncio de salvação e restauração do povo de Israel após o exílio babilônico. Miquéias foi contemporâneo de Isaías. A própria tradição judaica, antes dos cristãos, viu nestes versículos uma profecia messiânica a anunciar a vinda de um novo Davi, que governaria com firmeza e segurança o povo de Deus. S. Mateus mostra que tal profecia se cumpriu por ocasião do nascimento de Jesus (Mt 2,6). Os sacerdotes e escribas de Israel citaram Mq 5,1s para indicar o lugar em que o Messias devia nascer (Mt 2,4-6).


CONCLUSÕES


Não se pode esperar encontrar no AT um quadro mariológico muito nítido. Importa, porém, verificar que as profecias messiânicas mais antigas já delineiam alguns traços de Maria, concebida como Mãe do Salvador.


A esperança fundamental do AT é a do Messias. Por isto Maria Ssma é aí esboçada estritamente como mãe do Messias. A Mariologia é função da Cristologia. Sendo a prerrogativa principal de Maria a maternidade messiânica. Isaías, não tenciona exaltar a virgindade, mas tem em vista realçar o dom gratuito do Filho do Messias. Não é o homem quem, por sua própria capacidade, gera a sua salvação. Os evangelistas Lucas e Mateus desenvolveram autenticamente o esboço de maternidade virginal contido no AT.



Salve Maria!

fonte: ISCR - Instituto Superior de Ciências Religiosas

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