sábado, 13 de março de 2010

BENTO XVI: PRECISAMOS DE SACERDOTES QUE FALEM DE DEUS AO MUNDO


Cidade do Vaticano, 12 mar (RV) - É preciso sacerdotes que, sem seguir as modas culturais, testemunhem a presença de Deus no mundo: esse é o cerne do denso discurso que Bento XVI dirigiu na manhã desta sexta-feira, na Sala das Bênçãos, no Vaticano, aos 700 participantes – entre sacerdotes e bispos – do Congresso Teológico Internacional promovido pela Congregação para o Clero.
O Santo Padre deteve-se sobre o tema do encontro "Fidelidade de Cristo, fidelidade do Sacerdote", reiterando o valor do celibato e convidando os sacerdotes a contrastarem aqueles reducionismos que querem transformar o padre num "agente social".
A saudação ao Papa foi feita pelo Prefeito da Congregação para o Clero, Cardeal Cláudio Hummes. O purpurado brasileiro manifestou a sua "plena solidariedade, comunhão, apoio e oração" ao Papa, em tempos "não fáceis e muitas vezes repletos de sofrimentos para a Igreja".
O mundo de hoje precisa de sacerdotes que sejam profundamente tais. Bento XVI reiterou que numa época que "tende a desvanecer todo tipo de concepção de identidade, por muitos considerada contrária à liberdade e à democracia", é preciso considerar de modo bem claro "a peculiaridade teológica do Ministério ordenado".
Isso deve ser feito para não se "ceder à tentação de reduzi-lo às categorias culturais dominantes":
"Num contexto de difusa secularização, que progressivamente exclui Deus da esfera pública e, de modo tendencial, também da consciência social partilhada, muitas vezes o sacerdote é visto como "estranho" à percepção comum, justamente pelos aspectos mais fundamentais de seu ministério, como o ser homem do sagrado, tirado do mundo para interceder em favor do mundo, em tal missão constituído por Deus e não pelos homens."
O Papa observou que "é importante superar perigosos reducionismos" que, nos anos passados, "apresentaram o sacerdote quase com um "agente social", correndo o risco de trair o próprio Sacerdócio de Cristo. Ao invés, é preciso "reafirmar, também em nossos dias, o valor sagrado do celibato". Ele é "uma autêntica profecia do Reino – explicou o Pontífice – "expressão da doação de si a Deus e aos outros":
"Como se mostra sempre mais urgente a hermenêutica da continuidade para compreender de modo adequado os textos do Concílio Ecumênico Vaticano II, analogamente se mostra necessária uma hermenêutica que podemos definir como sendo hermenêutica "da continuidade sacerdotal", a qual, partindo de Jesus de Nazaré, Senhor e Cristo – e passando pelos dois mil anos de história de grandeza e de santidade, de cultura e de piedade vividos pelo sacerdócio – chegue até os nossos dias."
Bento XVI prosseguiu seu discurso afirmando que no tempo em que vivemos é importante que o chamado ao sacerdócio "floresça dentro do carisma da profecia":

"É preciso sacerdotes que falem de Deus ao mundo e que apresentem o mundo a Deus; homens não sujeitos a modas culturais efêmeras, mas capazes de viver autenticamente aquela liberdade que somente a certeza da pertença a Deus é capaz de dar."
O Pontífice ressaltou que "a profecia mais necessária é a da fidelidade, que partindo da Fidelidade de Cristo à humanidade, mediante a Igreja e o Sacerdócio ministerial, leve a viver o próprio sacerdócio na total adesão a Cristo e à Igreja".
De fato, "o sacerdote não pertence mais a si mesmo, mas é "propriedade" de Deus" – foi a sua reflexão. E esse seu "ser de Outro" – acrescentou – "deve tornar-se reconhecível por todos, mediante um límpido testemunho":
"No modo de pensar, de falar, de julgar os fatos do mundo, de servir e amar, de relacionar-se com as pessoas, como também no vestir, o sacerdote deve adquirir força profética de sua pertença sacramental, do seu ser profundo. Consequentemente, deve cuidar-se de subtrair-se à mentalidade dominante, que tende a associar o valor do ministro não a seu ser, mas à sua função, desconhecendo assim, a obra de Deus que incide na identidade profunda da pessoa do sacerdote, configurando-o a Si de modo definitivo."
O Papa evidenciou que a vocação do sacerdócio é, portanto, "uma altíssima vocação que permanece um grande Mistério até mesmo para os que a receberam como doação":
"Os nossos limites e as nossas fraquezas devem induzir-nos a viver e a custodiar com profunda fé tal dom precioso, com o qual Cristo nos configura a Si, tornando-nos partícipes da sua Missão salvífica."
O Santo Padre reiterou a necessidade de "uma vida profética" que "favoreça o advento do Reino de Deus já presente e o crescimento do Povo de Deus na fé". O Papa concluiu o seu discurso com uma exortação que constitui também um desafio para os sacerdotes de hoje:
"Caríssimos sacerdotes, os homens e as mulheres do nosso tempo nos pedem somente que sejamos profundamente sacerdotes, e nada mais."
Por fim, um encorajamento do Santo Padre:

"Os fiéis leigos encontrarão em tantas outras pessoas aquilo de que humanamente precisam, mas somente no sacerdote poderão encontrar aquela Palavra de Deus que deve estar sempre em seus lábios." (RL)
Salve Maria!

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